“Cow” atinge o esplendor ao acompanhar o dia a dia de uma vaca leiteira

Filme de Andrea Arnold não precisa de diálogos para ser grandioso


Filme de Andrea Arnold não precisa de diálogos para ser grandioso

Já faz mais de um dia que assisti a “Cow”, documentário de Andrea Arnold, pela plataforma do MUBI e ainda me sinto preso na obra. Inclusive, sonhei com ela esta noite. A sinopse do filme-documentário é bem objetiva ao dizer que se trata de um registro que acompanha o dia a dia de uma vaca leiteira na fazenda, e esse pequeno resumo talvez faça com que o espectador vá assistir à obra com uma expectativa sob controle, o que é bom, pois com o passar da história ele irá perceber que está diante de algo monumental.

O filme sensorial nos apresenta a vaca leiteira Luma, e sua rotina na fazenda onde é ordenhada por máquinas, se alimenta de ração, tem o seu casco polido, cruza e dá à luz filhotes que depois crescerão e renovarão o ciclo daquele negócio. Tudo o que acontece é contado por Luma. Ela conta a sua própria história. Não utilizando palavras, mas olhares e movimentos que Andrea Arnold soube captar perfeitamente.

E o que existe nesses olhares é uma onda imensa de sentimentos. Existe amor ao parir seu filhote, existe tristeza ao ser separada dele, existe cansaço pelas suas tarefas diárias, existe medo por estar submissa a outra espécie que detêm de mais poder do que ela.

Luma expira afetos que chegam ao espectador, que logo se vê ao lado dela, querendo sobretudo e, de alguma forma, abraçá-la. Os sentimentos que vão surgindo são intensificados pela trilha sonora do filme, basicamente músicas que tocam na fazenda para deixar as vacas mais relaxadas e fazê-las produzir mais. Essa trilha sonora, que vai desde Billie Eilish a Angel Olsen, passando por Kali Uchis e Charlotte Day Wilson, é peça chave para o êxito da obra.

“Cow” nos faz relembrar o quão transcendental é a vaca. Esse animal que produz leite que alimenta a espécie humana; que lavra os campos para permitir o crescimento das plantações; que proporciona um esterco que é fonte de combustível e fertilizante; e que até mesmo quando morta, a sua carne alimenta. Andrea Arnold produziu uma obra de arte do cinema sensorial.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Comments (

0

)

%d blogueiros gostam disto: