“The Wife” é um filmaço sobre o ressentimento

Dirigido por Björn Runge, filme é impecável na sua proposta


Dirigido por Björn Runge, filme é impecável na sua proposta

Nos anos 50, Joan é uma jovem escritora que conhece e se apaixona pelo seu professor Joseph. Desmotivada com os relatos de que as mulheres têm seus livros ignorados pela crítica e com a demissão de Joseph por se envolver com uma aluna, Joan decide criar uma literatura que viria a ser assinada pelo seu marido. A obra, intitulada “The Walnut” se torna um best-seller e, já no começo do filme, Joseph recebe o comunicado de que receberá o Prêmio Nobel pela “sua” literatura.

Enquanto viaja para Estocolmo acompanhando o marido Joseph que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan se questiona sobre suas escolhas na vida. Foram quarenta anos se dedicando a apoiar o seu marido, sacrificando seu talento, sua vontade e suas ambições em prol do homem que ela ama. É verdade que ela se entristece pelo seu marido estar recebendo uma condecoração que deveria ser dela, e isso pode levar o expectador a identificar um ressentimento na protagonista, mas as coisas não são tão óbvias.

O ressentido é aquele que acredita que o mundo lhe deve algo. Joseph, mesmo usurpando as obras de Joan, não se sente nem um pouco incomodado com isso. Muito pelo contrário, ele utiliza da obra para se gabar, usa a fama para trair a esposa e inclusive fala publicamente e frequentemente que ela “não escreve”. Isso tudo porque Joseph acredita que ele é quem deveria ter o talento que ela tem. Ele acha que ele é sim merecedor e, no fundo, Joseph sente raiva da esposa, por ela ser muito maior do que ele.

Joseph tem a chance de consertar a história e salvar o seu casamento, dizendo a verdade no seu discurso de recebimento do Nobel. Mas ele não faz isso, e no máximo agradece à sua esposa dando a entender que ela foi uma mera dona de casa. Estamos diante de um covarde.

Durante a história, Joan é abordada algumas vezes pelo jornalista Nathaniel, que quer produzir uma biografia de Joseph, contando sua verdadeira história. Joan o repreende em todas as suas abordagens. Na última cena do filme, na conversa que têm com Nathaniel no avião, Joan mostra que tem, além de talento, mais coragem do que o seu marido.

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