“O gato perdido” é uma tocante reflexão sobre a inconcebível dor de perder alguém

Perda de felino desencadeia série de reflexões sobre o luto, em um livro assumidamente autobiográfico


“Quem decide quais relacionamentos são apropriados e quais não são? Quais as mortes que são trágicas e quais as que não são? Quem decide o que é grande e o que é pequeno?”

Mary Gaitskill faz esses questionamentos após se sentir constrangida por estar sofrendo pela perda de Gattino, gato que ela adotou na Itália e levou para os EUA. A partir da perda desse gato, que um dia brincando no quintal decide fugir pela rua, Mary vai fazer reflexões sobre o luto que extrapolam a perda desse felino.

Enquanto relata sua jornada de busca por Gattino, a qual envolve colar cartazes, panfletar fotos, colocar comida e deixar suas roupas em locais estratégicos para o felino sentir o cheiro familiar, a autora vai nos contar que essa não é a primeira grande perda da sua vida.

Nesse livro assumidamente autobiográfico, Mary relembra quando se cadastrou junto com seu marido Peter em um programa para receber em sua casa adolescentes de baixa-renda, em sua maioria latinos e negros, para passarem algumas semanas de suas férias. Assim ela se apaixona por Caesar, um menino gordinho e carente agressivo, e posteriormente por sua irmã Natalia, uma garota problemática de personalidade flutuante. A perda dessas crianças, Mary vai contar, é inteiramente por culpa sua, que um dia pensou que elas lhe pertenciam.

Photo by Richard Beaven​ / Guardian / eyevine

Apesar da dor por essas duas crianças, a perda de Gattino parece ser maior, e isso pode fazer o leitor se perguntar por que às vezes somos mais empáticos com os animais do que com outros seres humanos. A autora também percebe essa sua condição, e vai dizer que “é difícil proteger do sofrimento alguém que amamos porque as pessoas frequentemente escolhem sofrer”, e completa com “um animal nunca escolhe o sofrimento; um animal aceita o amor até mais facilmente do que os jovens”.

“O gato perdido” é um tocante relato sobre o luto, especificamente sobre a fuga de um animal pequeno e que desencadeia uma série de reflexões sobre as perdas que a autora, infelizmente, já foi submetida na vida.

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